a luta continua  

Posted by Max Amaral. in




E tinha o problema dos gatos.


De uma hora para outra, eles se descobriram sozinhos em casa, sem ninguém dormindo com eles. Eu aparecia rapidamente para limpar a caixa de areia, colocar comida, pegar alguma coisa e voltava correndo para o hospital.


Eles estavam completamente atarantados.


No hospital, no entanto, as coisas começavam a melhorar. Depois de dois dias no CTI, a Dê foi colocada em um quarto de terapia semi-intensiva, e já podíamos ficar lá com ela.


Essa foi a melhor parte da estadia no hospital: um quarto grande, enfermeiras praticamente do outro lado do corredor, super competentes e atenciosas.


Tinha uma da África do Sul que, juro, parecia ser uma vampira de um filme de 5a. categoria (coincidentemente, só trabalhava no plantão da noite... hummmm...). De novo, super competente e atenciosa, mas que tinha um rançozinho de apartheid ali, tinha. Ela vinha cuidar da Dê e ficava sempre uns bons 20 minutos discutindo política, principalmente o problema dos imigrantes nos EUA. E é assustador verificar que concordamos com muito do que ela falava, mas, enfim...


Bão, os rins da Dê voltaram a funcionar, assim como o fígado. Aos pouquinhos ela ia voltando a ter cor de gente. Os pulmões demoraram um pouco mais, teve que ficar no oxigênio um tempão ainda. A pressão continuava alta, e ela passou a usar umas "caneleiras" que ficavam o dia inteiro inflando e esvaziando, para evitar uma trombose nas pernas.


Trouxeram uma bomba para tentar estimular a produção de leite, e comemorávamos cada avanço - e eles foram rápidos: passamos de 1 para 2 ml, e daí para 5 ml. Dávamos para a Erica com uma seringa, e dava para ver que ela preferia o gosto do leite da mamãe à fórmula.


Nos últimos dois dias, nos mandaram para um quarto "normal".


Ficamos com saudades da semi-intensiva.


Enfermeiras de menos, evidentemente não tão boas quanto as outras, um quarto bem xinfrim (é assim que se escreve xinfrim?).


Nessa fase, com a Dê já sem soro, sondas e outras parafernálias, o destaque foi uma enfermeira que passamos a chamar de "cafeinada". A mulher parecia estar sempre a 300 por hora, era difícil até acompanhar a danada.


E foi ali que recebemos 1. uma garrafa de cidra de presente e 2. uma cobrança dos serviços. Essa da cobrança foi estranha. Além de não ter nada especificado, o valor era obviamente muito abaixo do que o que seria a conta final, e nem sabiam ainda quanto tempo iríamos ficar ali. A Dê ficou meio puta com isso, principalmente quando ligaram perguntando quando e como iríamos pagar. A resposta foi que pagaríamos quando o seguro nos encaminhasse a cobrança, simples assim.


Enfim, resumindo: a Dê foi melhorando, e pode receber alta. Erica estava (sempre esteve) muito bem, o pediatra a visitava todos os dias e via que não tínhamos nenhum motivo para nos preocuparmos com ela.


Finalmente fomos para casa, e passamos dois dias tensos antes que os pais da Denise chegassem para nos dar uma inestimável ajuda. Vão ficar um bom tempo aqui com a gente, então, de agora para a frente, é acompanhar o crescimento da Ratinha (já ganhou quase meio quilo desde que nasceu) e a recuperação da Dê (tem uma consulta com um nefrologista semana que vem para tentar entender o que ainda mantém sua pressão descontrolada). Fora isso, ela está bem, tirando um ou outro surto de pânico quando se dá conta de que tem uma bebê para tomar conta.


A vida por aqui está bem bagunçada, principalmente pelo fato de termos que acordar a cada 2 ou 3 horas durante toda a noite para trocar fraldas, dar de mamar e botar a infanta para dormir de novo, mas já começamos a encontrar um padrão. Nos próximos 18 anos, esperamos conseguir colocar a vida nos eixos, antes que a Erica vá para o MIT ou para Harvard (ela ainda não se decidiu).


E é isso.


Assim que tiver folga, volto para dar mais notícias. E colocar umas fotos. Eu juro que temos montes, mas falta organização e energia para baixá-las aqui para o computador.


Mas não perca a fé.


Ademã que eu vou em frente.


This entry was posted on 5 de set. de 2010 at domingo, setembro 05, 2010 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

4 pitacos

Não me venha com xurumelas (é assim que se escreve xurumelas?!?)!!!

Quero fotas, djá!!

E não se esqueça dos cochichos!!!

Xro...

Sora

6 de setembro de 2010 às 11:30
Anônimo  

Pois é, passei o feriado desconectada e doida pra saber o desfecho da história - a única coisa que eu tinha certeza absoluta era do final feliz!
Linda a fotinho da Erica, agora ficamos no aguardo de mais!
Como diz um tio meu, o bom é que, depois do aperto, um dia tudo isso vira caso...
abraços
Mônica

7 de setembro de 2010 às 19:58

Max, que bom saber que acabou tudo bem. Tomara que a De se recupere completamente rapidinho e que a ratinha continue engordando.
Parabens a todos voces!

7 de setembro de 2010 às 20:15

Que bom que tudo acabou bem! Agora, é só alegria! Erica vai fazer você mais felizes ainda!
Beijossssssssssssssss

9 de setembro de 2010 às 05:43

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